BADU


A coisa que mais nos faz bem é saber que ela vive feliz connosco, que pudemos dar-lhe a vida que ela merece. Crescemos juntos, ao lado dela aumentámos ainda mais os nossos corações e juntos somos a família mais bonita ou pelo menos sentimos que somos assim. 


A história da Badu, pelas palavras e fotografias da Raquel.


Desde pequenina que sou uma verdadeira apaixonada por animais e quem me conhece sabe que adoro fotografá-los nas minhas viagens, porque tenho a certeza que, mesmo sem palavras, conseguem contar-me histórias através dos seus olhares. Apesar das minhas enormes alergias, sempre fui uma pessoa de gatos e, ainda em casa dos meus pais, tive dois gatos persas que, para além de não me fazerem espirrar, eram mais do que simples gatos, pois, ao contrário da sua independência natural dos felinos, foram verdadeiros membros da família, fieis, sinceros, meigos e doces. Foram esses dois gatões que me mostraram o que é isso de amor de quatro patas, sem filtros ou condições e foi também nessa altura que percebi que os animais são mais do que uma companhia, é como se fizessem parte de nós.



Quando vim viver para a casa do meu Pedro, percebi também a potencialidade de termos um cão por cá. Afinal, temos as condições certas: um pequeno jardim, uma casa generosa, dois corações grandes, muitos abraços e amor para dar. O amor do Pedro pelos cães é similar ao meu, já que ele se derrete totalmente quando vê um cão (pequenino ou grande) e até tem uma voz que usa especialmente para eles, algo similar aos corações que se comovem com bebés.

Por isso, não foi preciso muito para convencer o Pedro a adoptarmos um cão. Queríamos uma fêmea, não só por serem mais doces e carinhosas, mas também porque sabíamos que eram as últimas a serem escolhidas. Queríamos dar a melhor das oportunidades para aquela que fizesse parte de nós. E, um ano depois depois de viver por cá, a Badu apareceu na nossa vida. 



A primeira vez que a vi foi mesmo através do Facebook, numa página para adopção de animais. Não posso dizer que fiquei muitos dias a procurá-la, porque tive a sorte de me "esbarrar" com ela numa das primeiras buscas que fiz. Aquela primeira imagem nunca mais me saiu da cabeça... Ela estava toda enrolada e tímida, suja e cheia de terra, mas já tinha aqueles olhos de Disney que me garantiram logo que era a nossa bonequinha! 

Quando a Badu foi encontrada com os irmãos e a mãe, estava em tão mau estado, que os dias seguintes ao meu pedido de adopção foram um pequeno filme chinês. Tinham sido 4 meses a viver num galinheiro apertado e muito sujo, e o único contacto com humanos era através de um homem que lhes atirava comida umas vezes por semana. As raparigas dessa associação tinham medo que eu não quisesse ficar com ela, já que ela estava com sarna de uma tal forma, que tiveram de lhe cortar o pelo ruivo quase todo rente à pele. Para além disso, ela tinha muito medo do contacto humano, pois era algo ao qual não estava habituada, principalmente se esse contacto fosse interpretado por homens.



Mas, depois de eu insistir muito, ela lá veio cá a casa embrulhada numa manta, a tremer como varas verdes. E, apesar do pelo ruivo estar muito curto e baço, aqueles olhos de Disney continuavam lá, por isso não havia nada que eu pudesse fazer. Já me tinham roubado o coração! :)

Depois, o processo de adaptação da Baducas cá em casa foi difícil. Ela tinha tanto medo de nós, que ficou um dia inteiro debaixo da mesa da sala sem se chegar a ninguém. No final desse dia, venci-a pelo amor e, desde esse dia que ela nunca mais me largou. Mas o amor pelo Pedro demorou mais tempo a ser conquistado; afinal de contas, ele era homem e barbudo, um dos medos maiores para esta cachorra. Por isso, foi preciso um mês inteiro para ela dar confiança ao que é hoje um amor sem fim.




Hoje, a Badu é a cadela mais doce que existe. Continua com muito medo, não dá confiança a homens de barba, mas todas as férias que passamos com amigos esse medo vai um bocadinho embora e ela mostra tudo aquilo que guarda atrás dos seus olhos, capazes de pertencer a qualquer protagonista dos filmes da Disney. É meiga, carinhosa e muito fiel, trata-nos como se fôssemos pais dela. É uma verdadeira Diva e uma top model, tem um rabo de espanador e um pelo ruivo que faz lembrar os seus antepassados de kilt, porque, em segredo, eu continuo a achar que ela é escocesa. Adora fazer poses e olhar para nós como o Gato das Botas, para nos pedir tudo aquilo que ela quer. Não gosta de sair de casa e prefere o Inverno para dormir o dia todo, o desporto favorito dela, mas até vai connosco à praia no Verão e nada nas águas de Odeceixe. Adora mimos na barriga, derrete-se por um bom abraço e o sorriso dela enche-nos o coração.



No próximo dia 15 de Março faz 5 anos que a nossa Baducas vive connosco e eu não consigo evitar as lágrimas quando penso o que esta miúda nos trouxe. A coisa que mais nos faz bem é saber que ela vive feliz connosco, que pudemos dar-lhe a vida que ela merece. Crescemos juntos, ao lado dela aumentámos ainda mais os nossos corações e juntos somos a família mais bonita ou pelo menos sentimos que somos assim. 

E, se pudesse resumir os últimos 5 anos numa só frase, diria: a Badu ensinou-nos a amar, incondicionalmente.



Encontrem a Raquel em:

3 comentários:

  1. Princesa. ..que dizer !? Gosto muito de ti! Abracinho

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  2. Parabéns pela foto-reportagem: as palavras e as imagens certas a que já nos habituaste. E Obrigada por me deixares fazer parte da sua Vida. Beijocas repenicadas da
    tia Luísa

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