DUGA


Não poderia estar mais feliz com a minha escolha de manter o animal, pois não se tratou simplesmente de eu salvar um animal, de uma qualquer acção caridosa unilateral, mas algo recíproco, uma vez que a alegria e a luz que assim entraram na minha vida superam em muito qualquer esforço envolvido na decisão de a manter.

A história da Duga, pelas palavras e fotografias do Vítor.



Uma tarde no início de Abril. Caminhava pela berma da estrada com amigos quando reparei num cão que a custo seguia um caminho indeciso, em sobressalto com os automóveis que passavam, susceptível aos ruídos, tão pouco ciente de por ou para onde ia como da razão por que estaria ali. 

Abandonado, muito provavelmente. Uma ou outra ferida de guerra, ou de maus tratos: duas marcas na cabeça que poderiam ser mordeduras de outro animal ou o resultado de maldade humana.
Parei e esperei que o animal se aproximasse e ele (ela) retribuiu a minha atenção com um magnético e irresistível olhar meigo. 

Fiz-lhe algumas festas e quando me preparava para erguer novamente já sabia muito bem que um qualquer tipo de vínculo se tinha criado. Não resisti a chamá-lo(a), tentando que me acompanhasse, e quando a exaustão lhe não permitiu mais continuar, e com o meu medo de que um carro lhe batesse, decidi levá-lo(a) ao colo. O estado lastimoso em que se encontrava, com carraças, pulgas, o pêlo bastante sujo, feridas, falta de pêlo aqui e ali, etc., não me incomodou.




Começo a pensar em nomes, pressupondo que se tratava de um macho. Depois de alegremente me ter decidido por um, eis que descubro que na verdade era uma fêmea. Paro para lhe comprar algo para comer, o que ela faz, a custo, devido à fraqueza.

No dia seguinte levei-a ao veterinário (estava ainda muito longe do Porto), livrou-se das carraças e outros parasitas, fez um tratamento com antibiótico para a febre da carraça e em alguns dias parecia outro animal, com uma vida e alegria aparentemente inesgotáveis. É a criatura mais meiga e amiga que se possa imaginar.

Não demorei a encontrar um nome apropriado, "Duga", que é a palavra sérvia para "arco-íris", embora no momento da decisão eu desconhecesse isto – limitei-me a inventar uma versão feminina aportuguesada do cão protagonista no filme de animação “Up”. Assim ficou.




O passado dia 5 de Novembro foi o dia que ficou estipulado como o aniversário da Duga, o dia em que completou, simbolicamente pelo menos, um ano de existência. 
Não poderia estar mais feliz com a minha escolha de manter o animal, pois não se tratou simplesmente de eu salvar um animal, de uma qualquer acção caridosa unilateral, mas algo recíproco, uma vez que a alegria e a luz que assim entraram na minha vida superam em muito qualquer esforço envolvido na decisão de a manter.





Assim, quando vos disser para, em vez de comprarem um animal numa loja, adoptarem ou acolherem um animal da rua, estarei pelo menos a falar com aquilo a que se chama “o benefício da experiência”. 
E que experiência.

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