BULDOGUE INGLÊS



Este é o querido Boris e hoje vai contar-nos (quase) tudo sobre o Buldogue Inglês.

Descendente do Bull Mastiff, o Buldogue Inglês, ou apenas Buldogue, foi levado pelos Romanos para Inglaterra e referenciado enquanto raça definida pela primeira vez em 1500.

Inicialmente apresentava características ligeiramente diferentes das que hoje conhecemos: mais alto e encorpado, de cabeça mais larga e prognatismo mandibular (mandíbula inferior extremamente pronunciada), e densas pregas de pele extendendo-se da boca até aos olhos.

O Buldogue, forte e destemido, foi desenhado para levar o gado para ser vendido em mercados e para competir no desporto sangrento conhecido como "bull-baiting", confrontando ursos e touros principalmente. Mais tarde o "bull-baiting" tornou-se prática comum, sob o pretexto de tornar a carne do touro mais macia antes de seguir para o matadouro. Felizmente este "desporto" foi abolido em 1835, tendo como efeito secundário a quase extinção da raça.

Foram necessários alguns anos e pessoas que conseguiram perceber as qualidades de alguns exemplares, para que se redefinisse a raça, após consecutivas gerações de cruzamentos entre cães com traços físicos e de personalidade mais dóceis e suaves. 

Chegamos então ao Buldogue que nos derrete os corações.


Características Gerais


Afectuoso e meigo - adora pessoas, principalmente a sua família, que sente que tem de proteger.
Tem uma paciência enorme com crianças, mesmo que elas abusem da brincadeira - altura em que o Buldogue se retira para um local mais sossegado.

Determinado e corajoso - o que faz dele um bom cão de guarda. 
Ainda que não seja uma raça com tendência para ladrar muito nem iniciar lutas, com pessoas ou outros animais, a sua imponência pode assustar o intruso.

Amistoso e brincalhão - principalmente em cachorro, se for habituado desde logo a socializar.
Em adulto, tem tendência a acalmar e preferir o colo da família para apoiar a cabeça e ressonar durante as várias sestas que gosta de fazer diariamente.

Teimoso e independente - é um "slow-learner" mas quando aprende não esquece, o que torna ainda mais importante o treino desde puppy, sempre com reforço positivo.
Quando decide fazer alguma coisa, é difícil de o demover, pelo que convém estabelecer limites desde cedo.



Saúde


Como quase todas as raças com historial longo de cruzamentos e apuramento de traços, o Buldogue apresenta uma lista grande de cuidados a ter para se manter saudável. Além disso, é um cão bastante pesado para o seu porte, o que pode ser um impedimento para algumas pessoas no caso de terem de o levantar ou transportar ao colo.


Problemas respiratórios

- Espirro reverso
- Síndrome Braquicéfalo

Não tolera bem o calor ou a humidade, podendo mesmo sobreaquecer e desmaiar ou entrar em paragem cardiorrespiratória. No Verão, aconselha-se a passear somente nas horas mais frescas, evitando as de maior calor. Uma piscina de bebé com alguma água geralmente ajuda a refrescar, mas o Buldogue não é um nadador, portanto recomenda-se muito cuidado e atenção perto de piscinas, lagos...
Por ser um braquicéfalo, com as narinas muito apertadas, tem tendência a ressonar, emitir sons enquanto respira, e apneia do sono. Um veterinário pode averiguar se é ou não necessária cirurgia para corrigir ou amenizar esses sintomas.
O Buldogue é ainda sensível ao frio e tanto quanto nos dá a entender, é uma raça que deve passar grande parte da sua vida em casa, num ambiente controlado e confortável.


Olhos

- Cherry Eye
- Entrópio (Entropion)

O prolapso da terceira pálpebra (cherry eye) e a doença em que a pálpebra se vira sobre si mesma contra o globo ocular (entropion) são problemas que podem ser corrigidos cirurgicamente. A não-produção de lágrimas, originando olhos secos, também é frequente nesta raça, pelo que se deve monitorizar os olhos dos Buldogues desde cachorrinho.


Articulações e Músculos

- Displasia da Anca
- Luxação da Patela (ou Rótula)
- Tremores

Já falámos sobre displasia da anca e luxação da patela (ou rótula). São traços comuns a muitas raças. 
Os tremores involuntários não são mais do que a contracção e relaxamento rápidos dos músculos, localizado em uma ou mais partes do corpo. Geralmente manifesta-se em cães jovens e de meia idade e afecta maioritariamente cães de pelagem branca, apesar de haver já histórico em cães de várias cores (Chow-Chow, Weimaraner, Dálmata, Doberman Pinscher e Labradores).


Obesidade

O excesso de peso em animais tem vindo a aumentar. O nosso dia-a-dia atribulado e preenchido não nos permite exercitar os quatro-patas tanto quanto seria desejável e o que acaba por acontecer é termos de iniciar planos de emagrecimento em animais cada vez mais jovens.

O caso do Buldogue é ainda mais notório, visto que é uma raça que necessita de exercício diário mas em doses pequenas, que só pode sair em horas específicas, e que tem predilecção por sofás.
A juntar a estas condicionantes todas, tem um apetite voraz e precisa que a dose diária de ração seja controlada e dispensada em mais do que uma refeição para evitar falsos trajectos por ingestão sôfrega.



Grooming


Neste tópico, o Buldogue não é dos mais problemáticos, necessitando apenas de uma boa escovagem semanal, para retirar o pêlo morto, e banho quando necessário.

A manutenção diária das pregas da cabeça deve ser feita em dois passos:

- limpar bem a pele entre as rugas com um pano humedecido em água morna ou com líquido de limpeza apropriado

- certificar que as pregas ficam bem secas, com a ajuda de um pano

O nariz também deve ser limpo e posteriormente aplicar vaselina para impedir que este seque.


A ter em consideração...


É sempre importante, quando falamos em raças com propensão para doenças, escolher um criador de confiança. Conhecer os progenitores e restante ninhada é conveniente, não só para detectar traços de personalidade que mais se adaptem aos nossos, mas também para nos assegurarmos das condições em que nasceram e da herança genética.

Não nos cansamos de repetir: socialização, treino e reforço positivo.
Expor os puppies a diferentes sons, pessoas, ambientes, animais, é fundamental. Também o treino (em casa ou numa escola para cães) aliado ao reforço positivo só trazem vantagens, apesar de no início parecer demasiado trabalho...compensa! ;)

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